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terça-feira, 12 de abril de 2016

"O desentendimento" - "Democracia ou consenso" (no Brasil)

Um pouco de Jacques Rancière, em sua obra "O desentendimento", para o momento no Brasil:

Democracia ou consenso


"A esse estado idílico do político dá-se geralmente o nome de democracia consensual. Tentaremos mostrar aqui que esse conceito é, com todo o rigor, a conjunção de termos contraditórios. Proporemos portanto, para reflterir sobre esse objeto mais singular do que parece, o nome de pós-democracia. A justificativa desse nome passa somente pela explicitação de alguns paradoxos inerentes ao discurso atualmente dominante sobre democracia.

De um lado, ouvimos por toda parte proclamar o triunfo da democracia, correlativo do desabamento dos chamados sistemas totalitários. Esse triunfo seria duplo. Seria, primeiro, uma vitória da democracia, entendida como regime político, sistema das instituições que materializam a soberania popular, sobre seu adversário, a prova de que esse regime é ao mesmo tempo o mais justo e o mais eficaz. A falência dos chamados Estados totalitários é de fato uma falência em relação ao que era sua legitimação última: o argumento de eficiência, a capacidade do sistema para fornecer as condições materiais de uma comunidade nova. Resulta daí uma legitimação reforçada do chamado regime democrático: a ideia de que ele garante num mesmo movimento as formas políticas da justiça e as formas econômicas de produção da riqueza, de composição dos juros e de otimização dos ganhos para todos. Mas é, também, ao que parece, uma vitória da democracia, como prática do político a seus próprios olhos. A sombra de uma dúvida persistente da democracia sobre si mesma sempre pairou sobre a história do movimento democrático ocidental. Esta se resumiu na oposição marxista da democracia formal e da democracia real, oposição meta-política muitas vezes interiorizada na própria condução do litígio político. A democracia nunca deixou de estar sob suspeita até aos olhos dos próprios democratas. Aqueles que lutavam com mais vigor pelos direitos democráticos eram muitas vezes os primeiros a suspeitar que esses direitos eram apenas muito formais, não eram mais que a sombra da verdadeira democracia. Ora, a falência do sistema totalitário parece levantar finalmente a hipoteca de uma democracia "real" que alimentava a suspeita sobre a democracia. Parece, portanto, possível valorizar sem reservas as formas da democracia, entendidas como os dispositivos institucionais da soberania do povo, identificar simplesmente democracia e Estado de direito, Estado de direito e liberalismo e reconhecer na democracia a figura ideal de uma realização da physis do homem que empreende e deseja enquanto nomos comunitário. 
Esse sucesso da democracia se atribui com frequência à retirada de uma segunda hipoteca, aquela colocada pela ideia de povo. A democracia hoje renunciaria a colocar-se como o poder do povo. Ela abandonaria a dupla figura do povo que pesou sobre a política na era das revoluções modernas: a identificação rousseauniana do povo ao sujeito da soberania, e a identificação marxista - e mais amplamente socialista - ao trabalhador como figura social empírica e ao proletário ou produtor como figura de uma superação da política em sua verdade. Diz-se que esse povo superdeterminado obstava o verdadeiro contrato político, aquele pelo qual os indivíduos e os grupos concordam acerca das formas jurídico-políticas capazes de garantir a coexistência de todos e a participação ótima de cada um nos bens da coletividade.
Tal é, grosso modo, o esquema de legitimação da democracia que funciona como balanço da catástrofe totalitária. Ora, esse esquema esbarra num paradoxo. Normalmente, a ruína dos "mitos" do povo e da democracia "real" deveria levar à reabilitação da democracia "formal", ao reforço da adesão aos dispositivos institucionais da soberania do povo e principalmente às formas do controle parlamentar.  Ora, não é de modo nenhum o que acontece. No sistema político francês, por exemplo, observa-se uma degradação contínua da representação parlamentar, a extensão dos poderes políticos de instâncias não-responsáveis (peritos, juízes, comissões), o crescimento do campo reservado ao presidente e de uma concepção carismática da figura presidencial. O paradoxo é o seguinte: na época em que as instituições da representação parlamentar eram contestadas, em que prevalecia a ideia de que elas eram "apenas formas", eram no entanto objeto de uma vigilância militante em superior. E vimos gerações de militantes socialistas e comunistas lutarem ferozmente por uma Constituição, direitos, instituições e funcionamentos institucionais dos quais diziam, por outro lado, que exprimiam o poder da burguesia e do capital. Hoje, a situação se acha invertida e a vitória da chamada democracia formal vem acompanhada por uma sensível perda de afeição por suas formas. Segundo ele, a sabedoria democrática não seria tanto a atenção escrupulosa a instituições que garantem o poder do povo por meio de instituições representativas, mas a adequação das formas de exercício político ao modo de ser de uma sociedade, às forças que a movem, às necessidades, interesses e desejos entrecruzados que a tecem. Seria a adequação aos cálculos de otimização que se operam e se entrecruzam no corpo social, aos processos de individualização e a solidariedades que eles mesmos impõem.
(...) O sucesso da democracia consistiria então que ela ache, nas nossas sociedades, uma coincidência entre sua forma política e seu ser sensível."

[Rancière, Jacques. (1995/1996) O desentendimento - política e filosofia. Tradução de Ângela Leite Lopes. São Paulo: Editora 34. pgs. 99-101.]

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A política no Brasil está ao contrário e ninguém reparou

A política no Brasil está de pernas pro ar.

Vejam bem:

O PT, até ontem "partido do povo", está envolvido até as tampas com tudo de ruim da política que tanto criticou antes de chegar ao poder. Avançou um tanto no âmbito social, mas se atolou na lama até o nariz pra conseguir isso... Anda falando uma coisa e fazendo outra e bastante confortável governando exatamente como o PSDB faria.

O PSDB, partido da "high society" e desde sempre envolvido até as tampas com tudo que há de ruim na política - mas muito bem acobertado pela mídia e pelo judiciário - critica o PT pelas mesmas atitudes que sempre teve, querendo ser o "partido do povo" e "defender" o Brasil do PT. Anda num momento bem esquizofrênico naquilo que defende...

O PMDB, que sempre atuou à la "mineirinho", governando quieto ao apoiar qualquer um que estivesse no poder, resolveu mostrar a cara e as garras (conservadoríssimas, diga-se de passagem), agora até candidato à presidência terá!

Os demais partidos, da turma "pequenos partidos, grandes negócios", estão feito baratas tontas negociando tudo que podem para manter o pouco poder que tem e garantir a permanência na "Casa da Mãe Joana". Opa, "Casa do Povo".

E por fim, "O Louco" da Casa, aquele que sempre foi desacreditado e ridicularizado, o PSOL, surge como o único partido que mantém alguma coesão, coerência, dignidade e fidelidade ao que a população realmente precisa.

Se estava ruim, a última eleição conseguiu deixar pior.

Vamos esperar os próximos capítulos...

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E agora compartilho um comentário de Bob Fernandes, no Jornal da Gazeta, sobre esse assunto:



Por Bob Fernandes
Publicado em 10 de jun de 2015

"Na Bahia o PT faz Congresso Nacional no 10º aniversário do chamado "mensalão", escândalo que levou vários dos seus à cadeia.

O PSDB renovará a Executiva. Aos 17 anos do chamado "mensalão tucano", que dorme numa gaveta em Minas. Sem ser julgado, assim como demais escândalos.

PT e PSDB somam 20 anos no poder central. Ambos têm avanços para mostrar. E ambos, em maior ou menor grau, devem refletir sobre graves erros que cometeram.

O PT, que tem a presidência, para manter-se no Poder valeu-se de usos e costumes que criticava antes de chegar ao Poder. Mas não apenas.

Ao errar e não fazer autocrítica profunda e pública, o PT permitiu que algumas das piores porções da sociedade se apoderassem da hegemonia na narrativa e nas ações políticas.

E tem erro que é obra conjunta: ambos partidos se envolveram num longo processo de desqualificação mútua e sem limites.

Processo binário que arrastou o país a um pós-debate paralisante e medíocre, onde predomina o que há de pior.

Não por acaso a truculência ignara em relação à Política, a usos e costumes, aos cães beagle, aos haitianos... a quase tudo.

O avanço do fundamentalismo e peemedebização é obra ampla e conjunta.

Eduardo Cunha e Renan Calheiros comandam o Congresso ao mesmo tempo em que são investigados. Isso diante do silencio cúmplice e revelador das ruas, panelas e mídias tantas.

O governo faz o contrário do que pregou na campanha enquanto a oposição vota contra o que pregava... É tempo de cínicos e oportunistas em amplos setores.

Tempo dos que corrompem e se fazem de vítima ou denunciam a corrupção alheia... Sempre é Tempo dos que pregam capitalismo pendurados no Estado.

É tempo de farsas e oportunismo. Por isso, tantos que há poucos anos ou décadas posavam na esquerda hoje se servem e se empanturram nos extremos da direita.

Por isso, vários que serviram a direita mais extrema hoje faturam pela esquerda."

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Se Jesus voltasse...

A poucos dias atrás, li um texto na página "Quebrando o Tabu", no Facebook [1], sobre a experiência de vida de uma pessoa com relação à religiosidade.

Ao final do texto, essa pessoa falou que a mensagem de Jesus tinha sido *AMEM*.

Não *AMÉM*.

*AMEM*, mesmo - imperativo do verbo *AMAR*.

Sacada extraordinária.

Resumiu o que venho pensando sobre o exercício da religiosidade nos últimos tempos.

Considerando que Jesus tenha existido, ao menos como figura histórica, sua mensagem foi exatamente essa: AMEM.

Apenas uma especificação: "Amem uns aos outros, como eu vos amei."

Mas de alguma forma, no meio do caminho, a mensagem que significava:

-
Respeito e solidariedade ao próximo,

Compaixão para com os que sofrem e passam por necessidades,

Tolerância com o diferente,

Não julgamento do outro,

Perdão,

Rechaço da desigualdade e da ostentação,
-

Tudo isso virou:

-
Intolerância,

Preconceito,

Amor apenas próprio e aos semelhantes,

Julgamento e condenação do que é diferente,

Imposição da crença aos outros,

Ou seja, ame apenas aqueles que pensam como você, vivem como você, se vestem como você, e acreditam no que você acredita.
-

Muitos parecem ter esquecido que Jesus defendia todos os relegados e maltratados pela sociedade, e amava e aceitava todos *sem distinção*...

Na verdade, se Jesus voltasse, ficaria de cabelo em pé ao saber quem e o que se fala em nome dele hoje em dia.

Se um dia considerou voltar, a essa altura, já deve ter desistido.

Levaria mais uns 2 mil anos pra explicar pra essa gente toda o quanto eles entenderam errado a mensagem!

Isso se conseguisse escapar de ser linchado, acusado de comunista ou "bolivarianista", como se costuma dizer hoje em dia...


[1] https://www.facebook.com/quebrandootabu/posts/901625409893847

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Sobre a redução da maioridade penal

Argumentos e contra-argumentos sobre a redução da maioridade penal:

1) "Com 16 anos já sabe muito bem o que faz"! Ou "Com 16 anos já sabe o que é certo e errado!" Ou, ainda, "Com 16 anos já pode votar, então já pode ser preso!"

Verdade. E mais, hoje em dia, as crianças nascem cada vez mais espertas, e talvez uma criança com 3 ou 4 anos já saiba muito bem o que está fazendo.

Então, precisaríamos pautar o debate não em termos de idade, mas sim, em termos de tipo de crime (leve, grave ou hediondo) e, também, em termos de se a pessoa é recuperável socialmente ou não.

Afinal, precisamos separar um psicopata / sociopata de um adolescente comum. Pois sim, existem aqueles que ainda podem ser acolhidos novamente em sociedade e aqueles que devem se mantidos afastados para segurança de todos.

2) "Se quer defender bandido, então leva pra casa!"

Na prática, isso não resolveria. O melhor seria que, para começo de conversa, ele tivesse uma casa com as mesmas (boas) condições que a minha tem.

Ou que as casas destinadas à recuperação de jovens (instituições socioeducativas) exercessem de fato sua função de recuperar essas pessoas - por enquanto, em geral, são verdadeiros infernos e escolas do crime tanto quanto um presídio normal, de onde saem piores do que entraram.

3) "Pobreza e pouca educação não devem ser desculpas para criminalidade! Existem ótimos exemplos de pessoas pobres e bem-sucedidas."

Verdade. Também existem exemplos horríveis de pessoas de classe social elevada, bem educadas e bem formadas que cometem crimes (por ex. corrupção).

Então, talvez devêssemos pensar para além da educação formal, uma educação para a cidadania. Pois somente um senso de cidadania - de direitos e deveres - ensina as pessoas o respeito ao outro, ao que é do outro e também o significado de "coletivo" e "público".

4) “Queria ver se fosse com você ou com um familiar seu! Você ia querer justiça!”

Verdade. Mas justiça é diferente de vingança. Justiça seria ele pagar de acordo com o crime (punição adequada) e, se possível, fosse recuperado para não cometer mais crimes e não ferir mais ninguém.

Vingança por si só não resolve, porque apenas punição só torna o criminoso mais criminoso do que antes – quando sair da prisão, voltará a apresentar risco para todos, provavelmente até mais.

5) “A maior parte da população quer a redução da maioridade penal. É só ver nas postagens e comentários nas redes sociais!”

A maior parte da população está assustada com o aumento da criminalidade, com medo de sair na rua, e quer vingança, não justiça.

Mas com o nosso sistema carcerário, não poderíamos esperar outra coisa que não o aumento da violência. Afinal temos um verdadeiro “sistema educacional carcerário” - praticamente, níveis de especialização no crime, com seleção e tudo.

E sobre poucas pessoas se manifestarem contra a redução da maioridade penal nas redes sociais, contribuindo de forma positiva e construtiva, só tenho a dizer que elas devem se sentir inibidas - as “ruas da internet” andam muito violentas ultimamente!

sábado, 11 de abril de 2015

Ubuntu ou "Eu sou porque nós somos"

"Os africanos têm uma coisa chamada ubuntu. Trata-se da essência de *ser* *humano*, é parte do presente que a África vai dar ao mundo. Ela acolhe a hospitalidade, o preocupar-se com os outros, estar disposto a ir a milha extra pelo bem dos outros. Acreditamos que uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas, que a minha humanidade está vinculada, ligada, intrinsecamente, com a sua. Quando eu desumanizo você, eu inexoravelmente desumanizo eu mesmo. O ser humano solitário é uma contradição em termos. Portanto, você procura trabalhar para o bem comum, porque sua humanidade vem a si mesma na comunidade, no pertencer." - Arcebispo Desmond Tutu

Fonte: http://www.harisingh.com/UbuntuAge.htm

Mais sobre "Ubuntu":
http://uninomade.net/wp-content/files_mf/111404140914Ubuntu%20o%20comum%20e%20as%20a%C3%A7%C3%B5es%20afirmativas%20-%20Alexandre%20do%20Nascimento.pdf


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Crise da água: A natureza manda a conta.

Olá!

Continuando no assunto da água, compartilho alguns links com textos que acredito terem capturado o essencial do que precisa ser dito sobre a atual crise hídrica brasileira.

Ao fim da postagem, minha '*roda de notapé'...

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O primeiro texto é da repórter, escritora e documentarista Eliane Brum. Texto preciso e fundamental para quem quer ter uma visão clara do que está acontecendo:

“Vamos precisar de um balde maior”
Quem seremos nós, sem água? Caberá a essa geração imperfeita enfrentar os desafios de um futuro que chegou antes.


http://brasil.elpais.com/brasil/2015/02/02/opinion/1422883484_909975.html

Destaque para o blog mencionado pela escritora, "Boletim da Falta D'água", criado e mantido por Camila Pavanelli. Sua atitude frente ao grande cenário de negação e desinformação vinda do governo e da grande mídia foi a de escrever um blog com postagens semanais sobre a falta de água em São Paulo, juntando as narrativas fragmentadas, confusas e espalhadas pelas mídias, e dar alguma ordem e sentido a elas. Eis o link para o blog:

http://boletimdafaltadagua.tumblr.com/

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O segundo texto é de Felipe Milanez, jornalista e ambientalista, como forma de apoio à Campanha Conta D'água (contadagua.org). Seu texto é sobre a necessidade de encararmos o caráter político da crise hídrica e, portanto, também de sua solução:

Malthus e a crise hídrica em São Paulo
Problema da crise hídrica em São Paulo é um caso clássico de ecologia política. Não adianta culpar a natureza, mas sim o mau uso dela. É o capitalismo, estúpido. E os poderes locais.


http://www.cartacapital.com.br/blogs/blog-do-milanez/malthus-e-a-crise-hidrica-em-sao-paulo-8334.html

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O terceiro texto é uma análise de Vladimir Safatle, filósofo e professor, apontando a falta de honestidade e coragem das figuras públicas para assumir responsabilidades e de tomar as atitudes necessárias.

A transferência de responsabilidades
Já em plena crise hídrica, o patético esforço da oligarquia tucana para explicar o desastre que ela própria provocou


http://www.cartacapital.com.br/revista/835/a-transferencia-de-responsabilidades-3770.html

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E aqui, uma contribuição do Cartunista Zé Dassilva:


















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*'Roda de Notapé'
Um dia, a natureza ia mandar a conta de todos os nossos descasos... Esse dia chegou.

Mas para muitos ainda, a crise da água está longe - espacial e temporalmente.

"Não chegou no meu bairro ainda". "Está acontecendo em outro lugar". "Só vai acontecer no futuro".
Acontece que o longe está cada vez mais perto, e o futuro bate à porta...

Então, resta a pergunta: Vamos economizar pra que não falte pra ninguém, ou esperar faltar na nossa torneira pra economizar na marra?

Vamos aprender a lição observando os casos já mais que presentes e notáveis?

Vamos reinventar nosso modo de viver e governar, respeitando as limitações da natureza para prover aquilo que é essencial à nossa vida?

Ou vamos continuar nosso dia-a-dia ignorando todos os avisos e prenúncios, todas as dicas dadas pela natureza de que estamos fazendo algo errado (há muito tempo!!)?

Eu espero que, de uma vez por todas, entendamos: quando desrespeitamos a natureza, não é ela que sofre - SOMOS NÓS, mais cedo ou mais tarde.

Ou será que a situação vai ter de piorar ou acontecer mais vezes para que população e poder público aprendam a lição pra sempre?

Lembremos, então:



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E até a próxima!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Verdade para matar a sede... Porque água, não tem mais!

Olá!

Começando 2015 com notícias não muito agradáveis, mas, faz parte!

Quero falar hoje sobre a crise da água...

A notícia é do site "De olho no tempo - Meteorologia":

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Água deve acabar e colapso acarretará em êxodo urbano em São Paulo, afirmam especialistas

Date: 05, janeiro, 2015

A mais grave crise de abastecimento de água potável no estado de São Paulo e principalmente na Região Metropolitana, ainda não foi tratada com realismo por parte da mídia e das autoridades.


Imagem do site "De olho no tempo - Meteorologia














Até agora o que se viu e ouviu sobre o nível dos reservatórios, não retrata a verdadeira “guerra civil” que se aproxima nos meses seguintes, garantem especialistas.
Desde o segundo semestre de 2013, a irregularidade de precipitação atrelada ao consumo excessivo, à péssima malha de distribuição de água e a falta de investimento por parte do governo levou a uma redução muito drástica do nível dos principais reservatórios que abastecem as regiões de Campinas, Itu e São Paulo.
O maior destaque dado pela mídia, o Sistema Cantareira, que já não possui mais capacidade natural de armazenamento de água, está agonizando com sua segunda reserva técnica sendo retirada e com data para acabar.

(...)

A cidade de São Paulo, principalmente, deve entrar em colapso total até o final de 2015, onde moradores não terão água para beber, indústrias promoverão a demissão em massa, pela falta de água na produção das mercadorias e a migração de famílias inteiras para outras regiões será única e exclusivamente em função da inexistência de água. Esse é o cenário mais otimista alertado com muita antecedência pelos pesquisadores.
O comércio, a indústria e os moradores residentes em São Paulo, bem como a área metropolitana, sentirão não apenas no bolso, mas no método de sobrevivência, tamanha ingerência política.
Os pesquisadores, que já haviam indicado a possibilidade ainda em 2013, agora cravam a certeza de que teremos um êxodo urbano, ou seja, a população migrando da cidade grande para o interior devido, exclusivamente, à falta de água potável para a sua sobrevivência e também pela demissão em massa e a crise econômica que ela irá alavancar.

A mídia e o governo não mostraram ainda a gravidade que se aproxima com a extinção da água potável dos principais reservatórios, o que não significa que em anos seguintes, o armazenamento não seja recuperado. Cabe a população agilizar suas tarefas e gerir a pouca água que resta. Mesmo que chova o dobro do que foi perdido nos últimos dois anos, as represas demorariam, pelo menos cinco anos, para recompor o que foi perdido.
São Paulo está à beira do colapso, mas como sempre, acreditamos em dias melhores, ou na chuva que cairá. E isso terá um preço muito alto a ser pago por todos.
Não existe milagre, mas sim planejamento. E planejamento é o que menos fizeram nos últimos anos para com a água de São Paulo.



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No link a seguir, uma notícia da Agência FAPESP fala sobre uma carta escrita por cientistas da Academia Brasileira de Ciências, com uma clareza impecável sobre a REAL situação da crise hídrica vivida pelo Brasil, e sobre as atitudes IMEDIATAS que governo e população deveriam adotar para uma possível solução.

http://revistapesquisa.fapesp.br/2015/01/19/a-palavra-dos-cientistas-sobre-a-crise-da-agua/

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*Roda de Notapé 1

É isso aí pessoal. A lógica urbana de São Paulo FRACASSOU. Resta saber se o restante do país (e do mundo, por que não?) vai aprender a lição só observando ou vai esperar passar pela mesma situação.

E qual é a lição? Dar mais importância para o lucro do que para o que é essencial à vida humana e desperdiçar os recursos naturais como se fossem infinitos NÃO DÁ CERTO.

Também é bom pararmos de acreditar naquela velha historinha de que precisamos "SALVAR O PLANETA". O planeta vai ficar muito bem, obrigada, pois já passou por coisas bem piores do que os efeitos da espécie humana.

Quem está em perigo SOMOS NÓS. A manutenção da nossa vida na terra está ameaçada e a única culpada é a própria humanidade, com toda a sua ganância, irresponsabilidade e inconsequência.


*Roda de Notapé 2

Agora, em relação aos meios de comunicação, eles estão fazendo um enorme desserviço à população, juntamente com os políticos responsáveis pela gerência da crise hídrica (e de outras também, como a elétrica).

Tentar mascarar a situação dizendo que vai ficar tudo bem e simplesmente apelar para os céus por chuva NÃO VAI FUNCIONAR.

Na verdade, isso só vai piorar a situação, pois, primeiro: tripudia das pessoas que estão passando dificuldades humilhantes diariamente pela falta da água (como uma pessoa entrevistada na TV falou) e, segundo, não promove ações que amenizariam a situação em termos técnicos de economia de água. Afinal, "está tudo bem!".

E sabemos que não está. Rios ora jorrando água preta, ora jorrando espuma química, e depois, apresentando seus peixes mortos aos milhares em suas margens....... Já não são sinais suficientes de que algo não vai bem?

É preciso que o governo saia do estado de negação, ou simplesmente pare de mentir tão deslavadamente para acobertar seus próprios erros.

É preciso alertar a população do estado real da situação e começar uma campanha global de promoção de HÁBITOS MAIS SUSTENTÁVEIS, e, mais ainda, INCENTIVO para a população conseguir incluir esse hábitos em seu dia-a-dia - PARA SEMPRE (e em todos os lugares do planeta).

E é preciso PLANEJAMENTO e INVESTIMENTO em meios mais sustentáveis para suprir as necessidades da população...

Não adianta fazer tudo errado o tempo todo e esperar que um "jeitinho brasileiro" dê um jeito.

Se continuarmos assim, mais cedo ou mais tarde, todos nós acabaremos pagando essa conta - da base ao topo dessa nossa pirâmide social insana.........

Boa sorte (e consciência) pra todos nós!
E até a próxima!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Rosetta e Philae, e o lugar da Ciência em nossas vidas

[Reprodução de parte da matéria do G1:]

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12/11/2014 14h04 - Atualizado em 12/11/2014 17h16

Robô liberado pela sonda Rosetta pousa em cometa, confirma agência

Módulo Philae foi liberado por sonda espacial no início desta manhã.
É a primeira vez que cientistas conseguem pousar equipamento em cometa.

Eduardo Carvalho
Do G1, em São Paulo

Pela primeira vez, o homem conseguiu pousar um robô em um cometa, em uma missão que durou mais de dez anos e que tem o objetivo de estudar esse corpo celeste. Dados enviados pelo módulo Philae e rebatidos à Terra pela sonda Rosetta, responsável por levar o equipamento ao cometa, confirmaram no início da tarde desta quarta-feira (12) o feito inédito na ciência.

Imagem feita pela sonda Rosetta
mostra o módulo espacial Philae
seguindo em direção ao cometa
67P/Churyumov-Gerasimenko
(Foto: ESA/Rosetta)
(...)

Qual o objetivo?
Compostos químicos, gases e muita poeira presentes no cometa podem conter respostas sobre a formação dos planetas do Sistema Solar. Além disso, apontariam aos cientistas uma direção para descobrir como a vida surgiu, no estágio em que a conhecemos.

Uma das teorias sobre o início da vida na Terra sugere que os primeiros ingredientes da chamada "sopa orgânica" vieram de um cometa, considerados alguns dos corpos celestes mais antigos do Sistema Solar.

[Matéria na íntegra: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/11/robo-liberado-por-sonda-rosetta-pousa-em-cometa-confirma-agencia.html ]

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Mais sobre a missão de Rosetta e Philae:

"A incrível viagem da Philae"
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/blog/observatorio/post/incrivel-viagem-da-philae.html

"Rosetta and Philae's Blog" (blog da missão no site da ESA)
http://blogs.esa.int/rosetta/

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*Roda de Notapé 1

Sobre o interesse na Ciência.
Toda criança nasce cientista. O que caracteriza um cientista? A curiosidade. Basicamente, três tipos de curiosidade: 1) Como as coisas funcionam; 2) Como as coisas chegaram no estado atual (ou seja, passado e presente); e 3) Como podemos torná-las melhor (ou seja, futuro).

Infelizmente, o espírito científico da criança começa a ser sistematicamente reprimido em um nível diretamente proporcional aos sinais de bagunças, barulhos e questionamentos incômodos...

Afinal, o que há de mais impertinente do que a sequência infinita de porquês que uma criança pode lançar às pessoas ao seu redor, ou a bagunça e o barulho gerados pelos objetos desmontados ou chocados uns com os outros no intuito de saber como é por dentro, como funciona, ou que som faz, não é mesmo?


*Roda de Notapé 2

Sobre pesquisa espacial.
Assim, se uma criança responder à clássica pergunta "o que você quer ser quando crescer" dizendo que quer ser cientista ou astronauta, você não vai levar a sério. Certo?
Se ela disser que quer ser jogador(a) de futebol, até tudo bem (em especial, no Brasil), mas astronauta?? Não, né...

E o motivo reside exatamente no fato de que a Ciência não tem lugar na vida da população em geral. Pelo menos é o que a maioria da população acredita.

Dá-se à Ciência o mesmo lugar que à Política: muito distante e desconectada da vida cotidiana.
Não a reconhecemos em nós mesmos, nem ao nosso redor...
Mas, na verdade, o mesmo se aplica às duas: você pode até dizer que não está nem aí para elas, mas é afetado pelas suas consequências, de qualquer maneira.

Por exemplo, você só está na frente de um computador acessando uma infinidade de conteúdo no conforto da sua casa porque cientistas desenvolveram essa tecnologia para você.

Acontece que antes de ser disponibilizada para a população em geral, boa parte dos avanços tecnológicos é pensada exatamente para... a pesquisa espacial! E a pesquisa espacial, por sua vez, tem o objetivo de melhorar... a vida na Terra.

No caso da Ciência, então, você pode até não se importar com ela, mas é beneficiado por ela, em infinitos âmbitos da sua vida. Não podemos esquecer, por exemplo, das inúmeras descobertas de curas de doenças, feitas, também, por cientistas...

Então, da próxima vez que você ver alguma criança falar que quer ser astronauta, não ache engraçado, nem absurdo, mas entenda que você está diante de um cientista em potencial. E isso é uma coisa muito legal!

*Roda de notapé 3

Enfim, sobre a missão da ESA.
Rosetta e Philae não são astronautas. São uma nave e um robô, respectivamente, da ESA - Agência Espacial Européia, que estão acompanhando o cometa "67P/Churyumov-Gerasimenko".

Entretanto, esta missão, além do esplêndido e inédito feito de pousar em um cometa, têm conseguido outro feito também notável: despertar o interesse e a atenção da população em geral para a pesquisa espacial e, por tabela, para a ciência...

Isso se deve a uma opção específica da ESA, em relação à forma de divulgar as atualizações da missão empreendida pela agência, a saber, personificar Rosetta e Philae.

Fizeram isso principalmente através do Twitter, onde cada um dos dois tem uma conta "pessoal", e onde vão "conversando" sobre as etapas e as atualizações da missão.

E funcionou! Com a grande disseminação do uso das redes sociais, milhares de pessoas acompanharam e continuam acompanhando a missão, e esperando avidamente pelas atualizações e os novos feitos de Philae e Rosetta...

Então, parabéns à ESA por estas conquistas! A humanidade só tem a ganhar com a aproximação entre o público em geral e a Ciência e a pesquisa espacial... E os avanços que essa missão representa são realmente louváveis...

Fiquem agora com algumas das interações sobre o pouso... É uma graça!
E até a próxima!



@philae2014: Ei, @ESA_Rosetta, recebeu meu primeiro cartão-postal? CIVA fez a foto. Adivinha quem está nela? #cometlanding

@ESA_Rosetta: Primeiro cartão-postal do .@philae2014 após a separação - é (uma foto) minha! #cometlanding Créditos: ESA/Rosetta/CIVA




@ESA_Rosetta: Eu vejo você também @philae2014! Aqui está você na minha câmera OSIRIS - pernas esticadas! #cometlanding




@philae2014: .@ESA_Rosetta Veja você mesma! Imagem do #67P (feita pelo) ROLIS quando estávamos a apenas 3Km de distância! Feliz por poder compartilhar. #cometlanding




@ESA_Rosetta: Obrigada a todos pelas mensagens maravilhosas de suporte hoje; Eu ficarei de olho no @philae2014 e teremos uma atualização de status amanhã. #cometlanding




@ESA_Rosetta: Bem pensado usar um capacete amarelo e uma bandeira @philae2014 - muito mais fácil de ver você. ;) #cometlanding

(A ESA fez uma série de animações contando a história de Rosetta e Philae. Confira aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=AvkPFXdpOQQ&feature=youtu.be )

(Philae acabou pousando em lugar de pouca iluminação solar, e, como suas baterias são alimentadas por painéis solares, depois de passar alguns dados, o robô entrou em hibernação: )




@philae2014: Minha #vidaemumcometa apenas começou @ESA_Rosetta. Contarei mais a você sobre minha nova casa, cometa #67P, em breve... zzzzz #cometlanding




@ESA_Rosetta: .@philae2014 Está tudo bem, Philae, eu assumo a partir daqui. Descanse bem... #vidaemumcometa #67P #cometlanding


*Roda de Notapé 4

Agradeço ao meu namorado, Diogo, pelas conversas quase diárias sobre a Ciência e a vida. Suas contribuições são sempre questionadoras e iluminadoras, como não poderiam deixar de ser, vindas de um verdadeiro cientista, de corpo, alma e profissão...

terça-feira, 18 de novembro de 2014

16 de novembro - Dia Mundial da Tolerância



Dia 16 de novembro é comemorado o Dia Mundial da Tolerância.



Seguem trechos de mensagens da UNESCO a respeito deste dia:


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Mensagem de Irina Bokova, diretora-geral a UNESCO, por ocasião do Dia Internacional da Tolerância, em 16 de novembro de 2012.

(...)
Tolerância não é indiferença a outros. Nem mesmo implica a total aceitação de toda crença e comportamento. Tolerância não significa menor comprometimento com as próprias convicções ou fraqueza de propósitos. A tolerância não é condescendente; ela não comporta a perspectiva implícita de que uma posição é superior a outra. A tolerância é tampouco inata, ou uma qualidade que alguns recebem enquanto outros são dela destituídos.

A tolerância é um ato de humanidade. Ela é guiada por direitos humanos universais e liberdades fundamentais. Significa reconhecer a dignidade de outros como a base de sua própria. A tolerância é uma habilidade a ser cultivada e ensinada. Nunca deve ser dada como certa, pois é um compromisso a ser aprendido e renovado todos os dias.
(...)

[Mensagem na íntegra: http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/message_of_the_international_day_for_tolerance_16_november/#.VGs6BlRGh5R ]

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Mensagem de Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional da Tolerância, 16 de novembro de 2014.

(...)
Esta mensagem é central para toda a ação da UNESCO, orientada pela convicção de que a paz duradoura deve ser construída nas mentes de homens e mulheres, por meio do estímulo aos princípios da tolerância e do respeito mútuo por meio da educação, do diálogo entre culturas e da cooperação intelectual. Em um mundo globalizado, não é mais suficiente viver lado a lado, em indiferença passiva – tolerância requer vigilância ativa, renovada a cada dia, contra a xenofobia, a discriminação e o ódio. Aprendemos, por meio da tolerância, a conciliar os direitos universais que nos unem com a diversidade que nos fornece tanta coisa, bem como a ver que precisamos dos outros, em toda a sua diversidade, para que possamos ser totalmente nós mesmos.
(...)


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*Roda de Notapé

Em meio a tantos conflitos e problemas mundiais, acredito que a intolerância ao outro ou ao diferente seja uma das piores doenças que afligem a humanidade atualmente.

Se não houvesse a intolerância ao outro ou ao diferente, em todos os âmbitos - cultural, político, religioso, de origem regional / nacional, de orientação sexual, etc. - não haveria espaço para conflitos entre religiosos e a comunidade LGBT, entre pessoas de partidos diferentes, entre culturas diferentes, etc. (e estamos assistindo a um show de horrores todos os dias, em todos esses âmbitos, infelizmente! a exemplo das nossas últimas eleições...)

A discriminação e o preconceito minam a interação humana, porque são pautadas pelo ódio ao que não é igual. É a recusa de se reconhecer no outro, de reconhecer a dignidade humana do outro, seja o outro quem for, como viva e de onde venha.

Há que se lembrar que a intolerância (em especial a religiosa / cultural), quando associada à ganância, também são grandes responsáveis por inúmeras guerras entre nações, que vemos acontecer hoje e sempre, levando terror a populações inteiras, e às impedindo de viver com condições mínimas de dignidade.

Então...
Que tal reciclar a intolerância?
Transforme-a em amor! ;)
A revolução começa dentro de cada um de nós, nas relações do dia-a-dia...















Até a próxima!

sábado, 15 de novembro de 2014

Sobre liberdade e igualdade (e a 'res publica')

"125 anos da Proclamação da República no Brasil"

(Reprodução de parte da notícia do site "Jornal Cidade")

"14 nov, 2014 06:00
Redação JC
Wagner Gonçalves

Em 15 de novembro é comemorado o Dia da Proclamação da República no Brasil, significativa mudança no sistema político nacional. Após o grito da independência, em 1822, o país passou a ter regime monárquico com os imperadores Dom Pedro I e II. No entanto em menos 70 anos, houve desgaste no sistema, por este não corresponder mais aos interesses e necessidades sociais.

A liberdade econômica e democracia foram alguns dos fatores que fundamentaram as primeiras iniciativas rumo à mudança. Além disso, a liberdade política motivou as classes médias e profissionais liberais a aderirem ao conceito de instalação de república."

(Notícia na íntegra:
http://www.jornalcidade.net/rio-claro/noticia/125-anos-da-proclamacao-da-republica-brasil/ )

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*Roda de Notapé 1:
O termo "república" vem da expressão "res publica" (latim), que, por sua vez, quer dizer "coisa pública", "coisa do povo", ou, ainda, "bem comum".
Este último significado é o meu preferido. Afinal, o "bem comum" anda esquecidinho pelo povo deste país (e deste mundo)!

*Roda de Notapé 2:
Um termo que combina com República, e que iria bem com uma reflexão sobre o "bem comum", é o conceito de "cidadania". Penso que se as pessoas desenvolvessem mais e melhor o seu senso de cidadania, ou seja, a noção de que todo cidadão tem *direitos e deveres*, e que deve *reconhecer* nos demais cidadãos *os mesmos* direitos e deveres, muita confusão poderia ser evitada!

*Roda de Notapé 3:
Saindo da "coisa pública" e indo pra "coisa bonita", compartilho uma decorrência interessante sobre esse episódio histórico:

O título do samba enredo "Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós", feito pela Escola Imperatriz Leopoldinense para o carnaval de 1989, assinado por Niltinho Tristeza, Vicentinho, Jurandir e Preto Jóia, e cantado por Dominguinhos do Estácio, é uma referência ao hino da Proclamação da República, que tem como refrão o seguinte trecho:

"Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!"

Aqui, pode-se encontrar a história do hino e sua letra na íntegra:

"Vem ver, vem reviver comigo amor
O centenário em poesia
Nesta pátria, mãe querida
O império decadente, muito rico, incoerente
Era fidalguia
Surgem os tamborins, vem emoção
A bateria vem no pique da canção
E a nobreza enfeita o luxo do salão
Vem viver o sonho que sonhei
Ao longe faz-se ouvir
Tem verde e branco por aí
Brilhando na Sapucaí

Da guerra nunca mais
Esqueceremos do patrono, o duque imortal
A imigração floriu de cultura o Brasil
A música encanta e o povo canta assim
Pra Isabel, a heroína
Que assinou a lei divina
Negro, dançou, comemorou o fim da sina
Na noite quinze reluzente
Com a bravura, finalmente
O marechal que proclamou
Foi presidente

Liberdade, liberdade!
Abra as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz"

(Note que o samba fala também sobre escravidão e menciona a Princesa Isabel, que assinou a Lei Áurea em 1888, um ano antes da Proclamação da República.)

*Roda de Notapé 4:
Finalizo com uma frase de Rosa Luxemburgo:

"Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres."

Até a próxima!